
"Plantada no meio do oceano,
anti-ciclone,
mesma à beira do vulcão,
persegues-me,
moras em mim.
Por muito que te troquem o nome,
para mim és mar,
rocha,
tradição,
lava,
inspiração,
saudade.
És a primeira
Por muito que te chamem
Terceira."
Este blog é dedicado aos Açores, um arquipélago composto por nove maravilhosas ilhas todas elas de uma beleza única e inegualável
Dia 11 de Setembro Portugal irá conhecer quais são as suas 7 Maravinhas Naturais. Ao todo estão disponíveis para votação 21 maravilhas naturais agrupadas em sete categorias. A lista começou com 323 candidatos.
À semelhança da eleição das Novas 7 Maravilhas do Mundo (em 2007), esta eleição tem como finalidade, alertar, divulgar e proteger todo o nosso legado natural: zonas marinhas, grutas e cavernas, praias e falésias, florestas e matas, grandes relevos, zonas protegidas e zonas aquáticas não marinhas.
Como não poderia deixar de ser, por haver 5 Maravilhas Naturais dentro das 21 candidatas, a cerimónia irá realizar-se nos Açores, na Ilha de São Miguel.
· Lista dos 21 candidatos
Florestas e matas:
Floresta Laurissilva (Madeira)
Mata Nacional do Buçaco (Centro)
Paisagem Cultural de Sintra - Património da Humanidade (Lisboa e Vale do Tejo)
Grandes Relevos:
Paisagem vulcânica da Ilha do Pico (Açores)
Parque Natural da Arrábida (Lisboa e Vale do Tejo)
Vale Glaciar do Zêzere (Centro)
Grutas e cavernas:
Algar do Carvão (Açores)
Furna do Enxofre (Açores)
Grutas de Mira de Aire (Centro)
Praias e falésia:
Pontal da Carrapateira (Algarve)
Portinha da Arrábida (Lisboa e Vale do Tejo)
Praia do Porto Santo (Madeira)
Zonas Marinhas:
Arquipélago das Berlengas (Centro)
Ponta de Sagres (Algarve)
Ria Formosa (Algarve)
Zonas aquáticas não marinhas:
Lagoa das Sete Cidades (Açores)
Portas de Ródão (Centro)
Vale do Douro (Norte)
Zonas protegidas:
Parque Nacional Peneda-Gerês (Norte)
Parque Natural do Sudeste Alentejano e Costa Vicentina (Alentejo)
Reserva Natural da Lagoa do Fogo (Açores)
Aqui ficam as fotos das nossas Maravilhas Naturais Açoreanas J

Angra, Jóia do Mundo!
Imagine o mar, a terra, as cores!
Das nuvens à flor da maré tudo é possível numa ilha e numa cidade entre o mar, a terra e o céu!
Basta lá estar e abrir os olhos.
Acrescente-lhe uma gente que só sabe viver com a festa à mistura, um clima que teima em mostrar tudo o que pode e sabe, de manhã à noite e aproveite…
É verdade que a prata nos chegou das Américas, o oiro de África e do Brasil, o marfim da Índia, as pedras, as técnicas e os saberes da Europa, do oriente e do Mundo, por isso nos consideramos jóia, mas deixe correr o pensamento e a vida:
Prove o vinho verdelho e veja nele o amarelo leve do topázio;
Deixe os olhos escorregar sobre os cerrados verdes e decida-se, talvez, pela esmeralda;
Mergulhe, de corpo inteiro ou apenas em imaginação, no mar imenso ou numa enseada rochosa, e veja como o azul da safira lhe fica bem;
Se preferir a prata, deixe-se encadear pelo brilho da baía de Angra por volta do meio-dia;
O lilás – o nosso lilás – como se fora uma ametista suave e fluida, rodeia tudo ao fim da tarde, mudando as cores, as sombras e o sentir das coisas.
Voltando ao mar – ele varia tanto de cor ao longo do dia que todas as pedras preciosas do Mundo inteiro não chegam para o avaliar – pode também resolver-se pela água marinha mas reserve, sempre, o oiro para o Sol!
Deixe-se estar, mesmo que chova!
Em vez de correr e protestar, veja e sinta como o verde ficará mais verde e profundo, como as gotas formarão pingentes, graciosos e frágeis, por entre a folhagem dos jardins, como as pedras da calçada ficarão negras – como só o basalto sabe ser, escuro e profundo – para brilharem, depois e de súbito, ao Sol repentino que sempre aparece a seguir.
De um modo especial pedimos que olhe para a obsidiana.
Nascida no caldeirão tremendo dos vulcões, fica para sempre luzente e orgulhosa, no seu negro quase absoluto. Como a ilha aliás!
Alguma joalharia moderna tem procurado tirar partido dela.
Resolva-se pelas pedras preciosas e imagine Angra e a ilha em cada uma delas!
Angra e os Açores
Os Açores e Angra não são o centro do Mundo, mas são um lugar de contacto do Mundo.
Os Açores e Angra são um dos mais ricos e interessantes pontos de encontro da Humanidade.
Deixemos de lado saber se foram navios ou são aviões; deixemos de lado querer distinguir o que pertence a cada um, o que é deste ou daquele continente, desta ou daquela cultura e perceba-se que, nos Açores, na Terceira, Angra é o que é porque se situa na confluência.
Tal como uma borboleta recebendo e dando, tal como ela viajando no tempo com simplicidade e aceitando a vida como ela se desenrola diante dos olhos. Se quisermos acentuar a referência: como a monarca que migra e emigra desde que existe.
Tal como uma jóia é o resultado de variadas e distantes coisas, Angra só se cumpre quando aceita essa vocação transatlântica e mundial, não de centro mas de lugar privilegiado de contacto.
Angra, jóia do Mundo porque sim! Só isso!
Começou o tempo do império do Espírito Santo!
É a altura de culto ao Divino Espírito Santo, uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular, sobretudo numas ilhas situadas no Atlântico chamadas Açores!
Em cada lugar por onde se passa respira-se um ambiente de festa – as ruas são revestidas de lâmpadas e bandeirinhas, as comissões e os seus ajudantes preparam as mesas para o jantar e, ao cair da noite, as pessoas caminham rumo ao império para tomar parte no terço e no animado serão.
Não há localidade açoriana que por estes dias não viva a festa do Divino: todos esforçam-se por prestar uma digna homenagem à divindade e têm gosto em reviver as nobres tradições que herdaram da família e da comunidade.
As festas do Espírito Santo fazem parte da alma dos Açorianos! Este culto secular potencia a vivência de atitudes e valores verdadeiramente humanistas e solidários, como seja a distribuição de alimentos pelos mais pobres, as refeições oferecidas a todas pessoas e o convívio entre vizinhos e amigos, sempre acompanhado pela música do momento e pelos tradicionais e saborosos petiscos.